Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007

CLANDESTINOS

Acabei de ver un documentário sobre o drama das pessoas cujas insuportáveis condições de vida (?) as obrigam a afrontar todos os riscos, acabando muitas vezes por encontrar uma morte cruel e sem sentido.

Quem consegue aportar à suposta terra da grande oportunidade, percebe logo - e da pior maneira! - que deixou de ser uma pessoa com direitos e deveres para se transformar em clandestino/a.

Sobre esta tragédia sem nome vos deixo aqui um poemeto meu, que para ganhar todo o significado deverá ser contextualizado com a canção" Clandestino", de Manu Chao.

A apreciar no excelente blog do meu caro amigo Desiderio Benito :

                http://sensacionesmusicales.blogspot.com/

           CLANDESTINOS

Todos nós

somos clandestinos

sobre uma Terra

que não nos pertence

e onde só nos restam

três palmos de sepultura.

Uma referência especial para o meu bom amigo José Gonçalves, a quem sinceramente desejo muitas felicidades neste seu dia de entrada-na-terra!

Boa semana!

sinto-me: Revoltada!
música/livro: Manu Chao - "Clandestino"
publicado por São Banza às 02:28
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12 comentários:
De ex_traño a 5 de Novembro de 2007 às 15:15
clandestinos somos todos um pouco, mais moita gente nao tem oportunidade de ser outra coisa....
estes som os que precisam dos direitos humanos que todo o resto desfrutamos neste primeiro mundo


De São Banza a 5 de Novembro de 2007 às 18:51
Bem vindo!
Sim, concordo consigo...nem todas as pessoas são iguais sob o Sol!
Em especial os excluídos das nossas fronteiras.
Volte sempre!


De Vicente a 5 de Novembro de 2007 às 15:57
Há dor suficiente em ser rasgado por dois mundos. O do que somos e o do que queremos ser. Somos terra, torga sabia-o bem, mas não o queremos ser. Gostaríamos de encontrar outro sentido que não este de vivermos para morrer. Assim que enquanto não pomos os dois pés do mesmo lado somos clandestinos sem terra. Também os clandestinos de que fala procuram o melhor para si suportando tudo na esperança de um mundo melhor ... quando a luta a travar é a da construção da sua terra livre, justa , honesta, fraterna, igualitária...não é na fuga mas na luta que está a solução...ninguém é clandestino quando reconhece a sua condição de homem e não se nega...ainda que por vezes à custa da própria vida.
Miguel Torga

Livro de Horas

Aqui, diante de mim,
Eu, pecador, me confesso
De ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
Que vão em leme da nau
Nesta deriva em que vou.

Me confesso Possesso
Das virtudes teologais,
Que são três,
E dos pecados mortais
Que são sete,
Quando a terra não repete
Que são mais.

Me confesso
O dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas
E das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
Andanças Do mesmo todo.

Me confesso de ser charco
E luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
Que atira setas acima
E abaixo da minha altura.
Me confesso de ser tudo
Que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
Desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.

Me confesso de ser Homem.
De ser o anjo caído
Do tal céu que Deus governa;
De ser o monstro saído
Do buraco mais fundo da caverna.

Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
Para dizer que sou eu
Aqui, diante de mim!


Me confesso de ser homem...
Um Beijo


De São Banza a 5 de Novembro de 2007 às 18:54
Viva!
Mais uma vez estamos de acordo e mais uma vez coincidimos num extraordinário poema de Torga!
Abraço grande!


De Apátrida a 5 de Novembro de 2007 às 18:29
A degradación dunha sociedade decadente, mostrase ben as claras cándo denomina a seres humanos clandestinos ou sen papeis que o mesmo que sen dereitos: Carnaza para explotar os empresarios sen escrúpulos que os recollen en furgonetas nas cidades. Algunhos chegan a desesperación de queimarse o bonzo. Que vergoña e que tristura. Eu sintome un clandestino é un sin papeis desta sociedade miserable. Non soio son miserables os gobernos senon aqueles que os explotan de empregadas de hogar, que non son mellores que os empresarios sen escrúpulos.
Parabéns po iste post tan necesario.
Um abraço é boa semana!!


De São Banza a 5 de Novembro de 2007 às 18:58
Olá, cidadão do mundo!
Como tens razão, como é hipócrita esta sociedade sem valores em que patinhamos!!
Tudo de bom para ti, amigo!


De Vicente a 5 de Novembro de 2007 às 19:26
Unamuno sempre dizia que não são os tiranops que fazem os escravos mas os escravos que fazem os tiranos...entre morrer numa carrinha...ou dar a vida lutando...emntre o mijo e a m****...ou dar a vida lutando...entre semear cravos, ainda que para outros colherem, ainda que esses outros sejam os que virão daqui a muitos anos ou não semeando tentar colher em outro país sonhos... meu Caro...
PS - Bem sei que falo do conforto de minha casa, pobre, mas confortável e livre...não estou julgando... estou apenas dizendo que há homens que escolhem morrer pela liberdade e pela dignidade dos seus pares...há-os...
Um Abraço


De São Banza a 5 de Novembro de 2007 às 19:58
Infelizmente, Vicente,no meio de tudo isto há também a alienação por vezes, é certo.
Abraços.


De Graça Pires a 5 de Novembro de 2007 às 19:31
É um drama tremendo, este, dos clandestinos. Dói só de pensar nas pessoas que vão à procura de uma vida melhor e muitas vezes encontram a morte ou uma miséria maior.
Gostei do teu poema. Sim todos estamos de passagem. A clandestinidade de que falas é comum a todos. Um beijo.


De São Banza a 5 de Novembro de 2007 às 20:02
Como é bom ver-te por aqui...
Ainda bem que te agradou o poema, porque também gosto da tua poesia.
Sim, só estamos numa escola...e bem dura.
Abraços.


De jpcfilho a 16 de Novembro de 2007 às 07:54
Olá Banza, desculpa, mas espero pelo menos sete palmos como recomendava tradição. Porém sei que nada nos pertence...
abraço
João costa Filho
Espelhodesomberas


De jpcfilho a 16 de Novembro de 2007 às 07:58
A terra é do homem e nada mais. As fronteiras foram inventadas para nos separar, como as igrejas, partidos políticos e outras invenções de nosotros idiotas. O homem é universal, portanto clandestino é o ....
abraço
jpcfilho


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