Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007

VULCÃO DOS CAPELINHOS

Madrugada de 27 de Setembro de 1957, Ponta dos Capelinhos, ilha do Faial, arquipélago dos Açores: início do longo martírio de milhares de pessoas,cujo destino foi o refúgio norte-americano aberto pela mão de John F. Kennedy.

Talvez a semelhança da situação entre os exilados açoreanos e a sua própria família - expulsa da Irlanda pela terrível crise do míldio da batata que destroçou vidas às centenas naquela ilha no triénio 1845/ 1846/1847, ficando conhecida como Grande Fome - lhe tenha aberto o coração a tão dramática situação.

Ou talvez eu esteja a ser ingénua e as razões do futuro Presidente dos Estados Unidos da América tivessem motivos mais interesseiros.

Das imagens televisivas a branco e preto da época, os meus oito anos recentes guardaram o fascínio de uma Natureza livre, poderosa e indomável; e também o desamparo de pessoas muito vulneráveis derramando em prantos a sua tristeza e o seu desconsolo junto a pobres casas que iam desaparecendo lentamente sob camadas de cinza e pedras.

Emocionei-me ao pisar pela primeira vez, em 29 de Julho de 2007, aquela terra onde outrora pessoas tiveram projectos de vida e, actualmente, se reveste de uma beleza inóspita, à mercê das oceânicas águas azuis, dos ventos e -até!- de alguns actos vândalos.

Gostei de ver a torre do farol a emergir do seu mausoléu de cinzas e de saber da intenção de ali se inaugurar muito em breve um Centro de Interpretação Vulcanológica.

Celebra-se hoje a passagem de meio século sobre a manifestação de força de Gaia, sempre senhora e dona do seu proprio destino.

Não posso deixar de celebrar também todas as pessoas cuja vida foi, de qualquer modo, tocada poe este acontecimento.

Voltarei a falar convosco sobre estas belíssimas ilhas verdes encastoadas no Atlântico turquesa .

Obrigada!

  

 

sinto-me: Comovida
música/livro: GRUPO DE VIOLAS DA ILHA TERCEIRA-"PERCURSO PELAS ILHAS"
publicado por São Banza às 16:35
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10 comentários:
De Oscar Luiz a 27 de Setembro de 2007 às 21:49
Olá!
Estive e ainda estou às voltas com um curso complicado que muito está me absorvendo. Daí o motivo de eu não estar visitando os amigos. Logo tudo voltará ao normal e eu serei mais frequente aqui.
Eu vim de uma cidade no sul do BRasil chamada Porto Alegre, e na escola aprendi que fora fundada por 40 casais de Açoreanos.
Já postei no meu outro blog, o Flainando na Web, sobre a "Ponte dos Açoeranos" que faz parte da história da minha infância.
Fico feliz em conhecer um pouco mais da história de Açores.
Obrigado por aumentar a minha cultura e por voltar a me visitar!
Um beijo!


De São Banza a 28 de Setembro de 2007 às 17:37
Êxito no seu curso e que termine rápidi para ter o gosto de o ver por aqui com frequência!
Obrigada por ter vindo!
Por cima do oceano, aquele abraço e bom fim-de-semana!


De gustavo chaves a 28 de Setembro de 2007 às 01:25
É a terra não escolhe onde agir, ela grita, e outros tantos silenciam


De São Banza a 28 de Setembro de 2007 às 17:42
Grata por sua presença.

Por algo os antigos deificaram a Terra , chamando-lhe Gaia, não é? Nós , modernos, é que achamos ter mais poder do que ela, veja só!
Abraço grande|


De elvira a 28 de Setembro de 2007 às 13:12
Ficamos sempre espantados e fascinados com estas manifestações de força, da natureza. E só muito raramente pensamos no quanto vão alterar a vida das pessoas, a não ser quando a vida dessas pessoas desaparece . E não é preciso que haja mortos para que muita gente sofra, nessas alturas.
Um abraço


De São Banza a 28 de Setembro de 2007 às 17:45
Pessoalmente nem considero a morte a pior coisa que nos possa acontecer.
Está zangada com o ourocru??
Bom fim-de-semana!


De Não se permite anonimato a 28 de Setembro de 2007 às 15:12
Fascinante essa força telúrica que pode engolir o nosso espanto...apreciemos o repouso telúrico.Não conheço directamente, mas ainda um dia conhecerei...assim os fundos de Gaia tenham a paciência por mim...
MOrfeu


De São Banza a 28 de Setembro de 2007 às 17:53
Óbrigada pelo comentário.

Um dos meus sonhos ( os deuses sejam misericordiosos!) é ver ao vivo um vulcão em erupção, de preferência junto ao mar, porque assim estariam juntos os dois elementos naturais que mais me fascinam.
Nada iguala o poder do fogo nem do mar.
Fico esperando mais comentários.
Bom fim-de-semana!


De joaocarlos42@gmail.com a 28 de Setembro de 2007 às 20:05
Entre os vulcões propriamente ditos e os vulcões nascidos do nosso voto - ou à revelia do nosso voto - andamos sempre debaixo de fogo.

E aqui para nós, que ninguém nos ouve, antes os vulcões da mãe natureza, do que os vulcões da madrasta política.

João Carlos


De São Banza a 28 de Setembro de 2007 às 20:47
Como tens razão!
Penso que é pioainda: estamos sob fogo cruzado!
Volta muitas vezes!
Abraços!


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