Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007

ELOGIO DA MEDIOCRIDADE

A mediocridade é rasteira

Situa-se em plano raso, está junto ao chão.

A mediocridade sofre de vertigens

É por essa agonia que as alturas dos grandes picos lhe provocam que jamais a vemos em voos altaneiros e largos.

A mediocridade é ordeira

Por isso, a encontramos sempre em imensos e bem nutridos rebanhos, onde todos se aconchegam na confirmação da antiga crença do horror da Natureza ao vazio.

A mediocridade é obediente

É essa a razão de acenar afirmativamente até à exaustão a todas as decisões dos seus muitos superiores.

A mediocridade é humilde

Como tal, reconhece o seu próprio lugar na ordem natural das coisas e remete-se à sua assumida insignificância.

A mediocridade é respeitadora

Assim, nunca põe em causa nem questiona quer a cadeia hierárquica quer as decisões e atitudes de quem a compõe.

A mediocridade possui toda a prudência do mundo

Evita envolver-se em situações exigentes nos compromissos a enfrentar.

A mediocridade pratica a contenção

Nunca emite opiniões,desejos, juízos.

A mediocridade é sensata

Aceita de muito bom grado o princípio da realidade configurado no tom fosco de uma vida desprovida de qualquer sentido.

A mediocridade possui espírito de solidariedade e sacrifício

Vegeta no seu casulo e abandona ao Outro a capacidade de sonhar, de lutar e de sofrer.

A mediocridade tem gosto

Assim, veste-se de ouropéis e a si mesma se designa como a áurea mediania.

A mediocridade é uma resistente por natureza

Sobrevive a todas as mudanças e floresce sob qualquer regime político.

Como toda a gente sabe, a alegria sublime de se ser medíocre

continua a conhecer em Portugal momentos de merecida glória - tavez pelo facto de sermos um pequeno rectângulo, quem sabe...

Atendendo a todas as qualidades atrás descritas temos, efectivamente, o patriótico dever de nos congratularmos com a rápida ascensâo a lugares de responsabilidade de personagens vincadamente medíocres.

Consequentemente:

Abaixo a competência e o seu perigo muito real de realizar no país uma verdadeira revolução no campo da inteligência e do saber!

Abaixo a capacidade crítica em relação à realidade nacional!

Abaixo a educação - porque é o meio mais eficaz para combater a mediocridade!

Acreditam que " Jornal do Barreiro" me publicou este texto em 10 de Outubro de 1997?

Parece ter sido concluído há minutos atrás, não é?

Afinal, nalgumas coisas a tradição ainda é o que era...

sinto-me: DE CABELOS EM PÉ...
música/livro: " EM OURO CRU" - SÃO BANZA
publicado por São Banza às 18:14
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4 comentários:
De elvira a 2 de Outubro de 2007 às 08:32
Eo pior é que pelo caminho que as coisas levam talvez em 2017 continue actual.
Um abraço


De São Banza a 2 de Outubro de 2007 às 09:07
Receio que tenha razão.
Parece que o texto é mesmo intemporal.
Bom dia!


De Orlando Castro a 2 de Outubro de 2007 às 18:35

Valeu a pena vir cá. A tradição ainda é, em alguns casos, o que era. Por falar em Barreiro, foi isso que há muitos anos eu o Fernando Frade, o Fino, tentamos contrariar na Voz do Barreiro.

Histórias da vida...


De São Banza a 2 de Outubro de 2007 às 19:17
Muito obrigada pelas palavras.
Espero que venha sempre.
Saudações!


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