Sábado, 13 de Outubro de 2007

"GUERRA COLONIAL"

ENTRE

CAPIM

E

CATANAS

OS

NOSSOS

AMIGOS

SOFRIAM.

PIOR

AINDA

ERAM

OS

QUE

MORTOS

VIVIAM.

SÃO BANZA - 8/471978

sinto-me: Para quem me lê, flores!
música/livro: Marcha Fúnebre
publicado por São Banza às 00:54
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8 comentários:
De João Carlos Pereira a 13 de Outubro de 2007 às 08:04
Olá, São. Vivi no tempo na guerra. Fui mobilizado em 1965 e saí em 1967. Em Timor, na altura, dois ou três tiros... e mais nada.

Mais nada? Então e 600 mil timorenses na base da pirâmide, apenas sobrevivendo, tendo por cima o exército colonial, os interesses económicos da comunidade chinesa (da Formosa), tratados como autênticos párias numa terra que era a sua?

Nem só de balas e sangue se fez a repressão colonialista. Mas também - e principalmente - da anulação do ser humano, da sua «desidratação» mental.

Nada de novo, nem de velho. O mesmo de sempre. Se pensarmos bem, em Portugal, hoje, há 9 milhões de «timorenses».

João Carlos


De São Banza a 13 de Outubro de 2007 às 12:04
Meu querido João, muito folgo encontrar-te aqui.
Timor?!...Eu conheço bem a realidade da época (até com uma certa graça pelo meio, por causa do meu exame do antigo 2º ciclo de Liceu).
É que o Gino (com quem vim a casar) também cumpriu serviço militar lá. Claro que não tinha a tua consciência política(nem nunca teve...), mas sentiu-se chocado com as condições de vida da população.
Pelas datas, a sua companhia (??) deve ter ido render a tua.
Quanto ao colonialismo (todo, incluindo o nosso) - e não esqueçamos o neo-colonialismo!!-é uma das maiores vergonhas da Humanidade.
Se quiseres, espreita o ourocru e lê a minha opnião acerca do magnífico livro de Joseph Conrad "O Coração das Trevas".
Volta sempre!
Bom sábado!


De elvira a 13 de Outubro de 2007 às 08:33
não sei se sabe São, mas eu pude ver "in loco" muito do que acontecia nas colónias. Especialmente em Angola onde estive integrada na Cáritas. E se lhe disserem que os portugueses não são racistas, não acredite. Influenciados ou não pelo regime, tendo ou não consciência do que faziam. Claro que não todos. Se todos fossem iguais não teria havido Abril.
Por acaso já reparou que muitos portugueses, travam conhecimento com uma pessoa da sua raça, e a trata com respeito. Conhecem uma pessoa de raça diferente, seja negro ou chinês, e á primeira palavra está a tratá-los por tu, e mais em ar de troça?
Reparei nisso este ano quando estava de férias no Algarve. E fiquei chocada porque nunca me tinha apercebido antes.
Um abraço, bom sábado


De São Banza a 13 de Outubro de 2007 às 12:16
VIVA!
Eu também fiquei insatisfeita com o tratamento por "tu" e perplexa com a maneira como pretendem dispor das pessoas. Fui confrontada com esta situação através de pessoas que conheci numa das minhas viagens e que connosco funcionavam normalmente, mas que face aos autóctones parecia estarem de novo na África do Sul.
Soube sempre de muita coisa ,claro, mas ao vivo, em directo e a cores foi nessa altura e numa outra em que convivi durante uma semana com criatura retornada!
Para mim, todas as formas de colonialismo são uma vergonha para a Humanidade e não esqueçamos o apoio da Igreja , presente ainda hoje!
Cá a espero.


De Apátrida a 13 de Outubro de 2007 às 18:52
En España, o 12 de octubre festexase o Día da Hispanidad, cun desfile militar en Madrid, a maioria da poboación, pasa do tema, agas os da extrema dereita. É curioso e vergoñoso ver como teñen que erguer a bandeira invasora, os descendentes daqueles que foron masacrados para poder comer.
O Estado español, os militares, a Igresia, os da patria-comenencia que se lucraron do ouro alleo, deberan pedir perdón país a país polo inmenso dano ea destrucción masiva, que fixeron desaparecer civilizacions enteiras.
Eu, pola parte que me toca por nacer e vivir neste País pidolles perdón.
O pior é que aquela barbarie non rematou, o ouro dos tempos modernos eo petróleo. É siguense destruindo pobos con armas de destrucción masiva en nome da democracia, como antes no nome de Deus. Guerras imperialistas do capitalismo-relixión.
Un abraço


De São Banza a 13 de Outubro de 2007 às 19:50
Gosto em te ver aqui e em ourocru,
Parece-me, cada vez mais, que a vossa luta não terminou e não gostei de ver duas coisas: uma foi o discurso de Mariano Rajoy e outra a queima de fotografias dos Bourbon.
Graciñas!


De Não se permite anonimato a 15 de Outubro de 2007 às 20:29
Nasci em 69 o ano em que o Homem pisou a lua....pouco sei da guerra colonial... mas tive a felicidade de me cruzar com o Manuel Alegre numas letras que ele desenhou e a que chamou Praça da Canção...Bem sei que fala da ditadura mais do que da guerra colonial, ainda que estes factos históricos se cruzem...mas alongo-me... queria apenas partilhar a força de um Homem que resiste nas palavras do Poeta:

"Em Maio de 1963 eu estava na cadeia. Por vezes, a meio da noite, um grito abalava as traves da minha cabeça, direi mesmo da minha vida, e eu acordava suado, dolorido, como se um rato (talvez o medo?) me roesse o estômago. E era inútil chamar. Onde ficara essa voz que dantes vinha repor o sono no seu lugar, repondo a paz dentro de mim? E as manhãs penduradas no mês de Maio, onde acordar era uma festa? Onde ficara a ternura? Onde ficara a minha vida?"
Em Maio de 1963 eu estava na cadeia. Dormia – como direi? – acordado sobre cada minuto. Tinha aprendido o irremediável. Alguma coisa, dentro de mim, se despedaçara para sempre (para sempre? Que quer dizer para sempre?). Era inútil chamar. Tinha aprendido, fisicamente, a solidão. Embora na cela do lado, alguém, batendo com os dedos na parede, me dissesse, como se fosse a voz longínqua do meu povo:

- Coragem!

Eu estava, pela primeira vez, fisicamente só, dentro do meu sono povoado por esse grito que estalava por vezes as traves da minha cabeça (onde essa voz que mandava embora os fantasmas?).

E era terrível essa manhã sem manhã, essa realidade branca e gelada, toda feita de paredes, grades, perguntas, gritos. Mesmo que na cela do lado, alguém, batendo com os dedos na parede, me dissesse:

- Bom dia!

era terrível acordar nessa estreita paisagem com sete passos de comprimento por sete de largura, tão hostil, tão dolorosa como as regiões dos pesadelos. Porque acordar era ter a certeza de que a realidade não desmentiria o pesadelo.

Mesmo que os meus dedos batendo na parede transmitissem notícias dum homem que podia responder:

- Bom dia!

de cabeça erguida era terrível acordar no mês de Maio, com a certeza de que no dia 12 a minha mãe não entraria pelo meu quarto, deixando-me na fronte um beijo, e rosas vermelhas sobre os meus vinte e sete anos.

Talvez seja preciso renunciar à felicidade para conquistar a felicidade. Eu estava na cadeia em Maio de 1963. Tinha aprendido a solidão. Tinha aprendido que se pode gritar com todas as nossas forças quando se acorda a meio da noite com um grito na cabeça e um rato (talvez o medo?), roendo-nos o estômago, que ninguém, ninguém virá repor a paz dentro de nós. E, então, é a altura de saber se as traves mestras dum homem resistirão. Pois só a tua voz, amigo, responderá ao teu apelo torturado na noite. E, nessa hora (a mais solitária das horas), se conseguires cerrar os dentes, dar um murro na parede, acender um cigarro, se conseguires vencer esse encontro com a solidão no mais fundo de ti próprio, com que alegria, com que estranha alegria, na manhã seguinte, tu responderás:

- Bom dia!,

mesmo que seja terrível acordar no mês de Maio, nessa estreita paisagem, gelada e branca, com sete passos de comprimento por sete de largura.

É certo que se podem escolher outros caminhos. Mas poderia eu ter escolhido outro caminho? Acaso poderia dormir descansado, onde quer que estivesse, sabendo que algures, na noite, há homens que batem, há homens que gritam?

Os fantasmas tinham entrado no meu sono, invadiram a minha casa no cimo da ternura; os fantasmas eram donos do País. E se eles viessem de repente, a meio da noite, e eu chamasse:

- Mãe!"
Para terminar por dizer que em maio de 63 estava na prisão, isto é, de alguma forma estava no seu posto...entende?... no seu posto...
Acredito que na nossa insignificância teremos força se a considerarmos o nosso posto...
Um Beijo
Vicente


De São Banza a 16 de Outubro de 2007 às 02:31
Do fundo do coração , muito obrigada pelo texto e pela sua sensibilidade!!
Tem razão, Vicente, o importante é que estejamos no nosso posto...
Espero-o sempre!
Um grande abraço!


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