Segunda-feira, 15 de Outubro de 2007

NÓS, "OS EUNUCOS"

Queixamo-nos amargamente deste estado civilizacional que vai de mal a pior e nos está arrastando para a perdição.

Mas,pensemos, a responsabilidade não passará também por nós, pela nossa apatia ?

A perversa ordem mundial que nos sufoca não teria hipótese de sobrevivência se não fosse a massa amorfa, obediente e cuja ausência de princípios lhe permite servir deus e o diabo.

Como considero que José Afonso conseguiu exprimi-lo melhor do que eu, partilho convosco este seu poema:

                                        OS  EUNUCOS

Os eunucos devoram-se a si mesmos:

Não mudam de uniforme, são venais.

E quando os mais são feitos em torresmos,

Defendem os tiranos contra os pais.

Em tudo são verdugos, mais ou menos;

No jardim dos haréns, os principais.

E quando os mais são feitos em torresmos,

Não matam os tiranos, pedem mais.

Suportam toda a dor na calmaria

Da olímpica visão dos samurais.

Havia um dono a mais na satrapia,

Mas foi lançado à cova dos chacais.

Em vénias malabares à luz do dia,

Lambuzam de saliva os maiorais;

E quando os mais são feitos em fatias

Não matam os tiranos pedem mais.

Boa semana!

sinto-me: Esmagada pela engrenagem!
música/livro: "Traz Outro Amigo Também"-José Afonso
publicado por São Banza às 00:49
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18 comentários:
De Não se permite anonimato a 15 de Outubro de 2007 às 01:47
O tema não é dos que mais me atrai.
Mas andamos castrados de muita coisa há muitos anos.
Uma boa semana
José Gonçalves


De São Banza a 15 de Outubro de 2007 às 02:23
Folgo em lê-lo aqui.
Imagino que não.
Volte sempre e tudo de bom para o meu amigo.
Abraços.


De elvira a 15 de Outubro de 2007 às 08:54
Quando depois de meio século em que fomos obrigados a viver de cócoras, para não erguermos um olhar de revolta, já andar prái tanta gente a pedir que o tempo volte pra trás, leva-me a pensar que todos temos um fundo sádico-masoquista.
Um abraço, boa semana


De São Banza a 15 de Outubro de 2007 às 11:53
Bom dia!
POIS!
Além disso, devemos certa/ praticar o auto-ódio, como o nosso comum amigo "Apátrida" afirma acontecer na Galiza.
Abraços e também boa semana para si.


De Desiderio a 15 de Outubro de 2007 às 12:43
Buenas tardes.

Nós faltamos o pensamento, querida amiga.

Poema bonito

Saudações


De São Banza a 15 de Outubro de 2007 às 14:30
Muito contente em te ver aqui, amigo.
José Afono é um cantautor ao nível de Serrat, Ibáñez. Na Galiza adoravam-no.
Te espero siempre.
Saludos.


De Clarice a 15 de Outubro de 2007 às 14:26
Conceição, já de algum tempo venho criando confusão ao afirmar que somos donos de nossas decisões e de encaminharmos nosso dia, desde a primeira, de levantar até a de mudar o mundo que nos circunda. Entre o sim e o não há uma distância tão pequena e tão arrasadora!
Muitas vezes nós é que somos nossos carrascos. depois nos queixamos de que passamos por poucas e boas.
Sei nada sobre esse poeta, mas gostei de conhecer .
Beijim e boa semana!


De São Banza a 15 de Outubro de 2007 às 14:37
Está coberta de razão...é,por isso, que por vezes me canso da vitimização de certas pessoas, embora sem deixar de sentir compaixão, claro, por situações complicadas. Mas muita coisa passa pelo nosso querer, sem dúvida.
José Afonso é um cantautor ao nível de Caetano, Gil.
Fico esperando, com agrado, sua volta.


De Apátrida a 15 de Outubro de 2007 às 18:23
Ahí xente, que camiña polo mundo, na busqueda dun amo, esquecese de donde ven é non sabe a donde vai, pasa a vida tentando servir o seu amo é traicionando os seús igoais.

CONSELLOS

Si foses xantar con poderosos
coida ben a carón de quén te sentas.
Pexa a túa gula e couta os teus degaros,
ponlle portas á fame si a tiveras,
pois é pan mintireiro o pan dos ricos,
dóce por fora, por dentro amarguexa.
Afora a túa cobiza,
non desacougues por xuntar facenda.
¿ Non coidas que a riqueza non é nada,
que o vento a trai e o vento axiña a leva?
Non comas pan dun home deshonroso,
nin da fartura dil teñas envexa.
Dirache, come e bebe, meu amigo,
disfroita dos meus teres canto queiras;
mais o seu pensamento non concorda,
de boca afora serán as súas verbas,
pois o seu corazón, cativo e duro,
ten de cotio pechas
as fenestras do amor e da xusticia.

Non o esquezas.

CELSO EMILIO FERREIRO

Un abraço


De São Banza a 15 de Outubro de 2007 às 19:43
Bem vindo, sempre.
Obrigada pelos belos poemas que deixas valorizando este espaço, também teu.
Há quem pareça gostar da sevidão, infelizmente. Ou não queira arriscar-se!
Unha aperta.


De Não se permite anonimato a 15 de Outubro de 2007 às 20:34
Bem, conseguiu a minha admiração eterna... tanto blog com receitas de pasteis de natas e fotografia de barcos que ter assim um encontro com estas farpas é refrescante... gostaria de lhe dizer que tem toda a razão. Que haverá sempre desculpas para não agir... resta saber se as razões para agir serão mais fortes que aquelas... eu penso que sim... pois como um país tem o tamanho dos seus homens ( isto é para aqueles que dizem que somos pequeninos)... também penso que um homem tem o tamanho da coragem que tiver em si de agir...
Um beijo
Vicente


De São Banza a 16 de Outubro de 2007 às 02:03
Bem vindo.
Parafraseando uma frase célebre " nem só de pastéis de nata vive o Homem" , ora eu , que tenho (bastante )peso a mais, ainda menos.
Concordo : o nosso tamanho mede-se pela dignidade e pela coragem.
Obrigada pela visita e , mais ainda, pelas palavras.
Fico esperando.
Bom começo de semana.


De ManDrag yThén a 15 de Outubro de 2007 às 20:59
Salve!
Pois é, se quisermos mudar o mundo o melhor é começar por fazer muito bem o trabalho de casa.
É em nós próprios que devemos começar a procurar o que adquirimos de maus hábitos e conformismos.
De nada vale apontar o dedo aos outros se não nos melhorarmos a nós próprios. E esse melhoramento exige vontade e esforço.
E é a partir dos mais pequenos gestos e opções que essa mudança começa.
Salutas!


De São Banza a 16 de Outubro de 2007 às 02:09
Olá!
Só que fazer o trabalho de casa é o que mais custa, não é?
Te espero.


De Pena a 15 de Outubro de 2007 às 22:01
Simpática e Doce Amiga:
Zeca Afonso foi um nome enorme num mundo que quis transformar para o bem de todos.
Sim! Habitamos uma sociedade retrógada e cada vez mais opressora e desencantada.
Por vezes, sentimo-nos impotentes face à avassaladora onda de inoperância dos que nos governam mal. Pessimamente!
Sim! Por vezes, acomodamo-nos a este estado de coisas e situações sem um grito de protesto ou revolta.
Vivemos um mundo de gestos e desejos incompreensíveis que não se compadecem com a crise instalada imerecidamente.
Será preciso resuscitar pessoas como o José Afonso para ver isto? Ficaria tão triste, tão triste...!
Excelente Post.
Gosto de a visitar. Tem talento, escreve com mestria, bom-senso, seriedade e sobre a actualidade do quotidiano das pessoas.
Parabéns!
Um Bem-Haja grandioso pelo que é. Muito!
Beijinhos amigos e de muita estima

pena


De São Banza a 16 de Outubro de 2007 às 02:13
Muito gosto em tê-lo aqui.
Querido colega , a sua generosidade toca-me fundo.
Grata lhe estou.
Bem haja!


De gustavo chaves a 16 de Outubro de 2007 às 02:40
Bom, muito bom e nós aqui, metamorfoseados


De São Banza a 16 de Outubro de 2007 às 03:16
Viva!
Estou voltando de teu sítio...
Ciao!


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