Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

DIA DE DEFUNTOS

Dia de Defuntos, festejado no México e instituicionalizado aqui.

Dia que me deu a notícia de que Alice e Inácio se renderam, após meses e meses de luta e dores, aos tumores malignos que os minavam sem piedade.

Ela, por morte natural; ele, por suicídio.

Por isso, aqui ponho em partilha um profundo poema de ManDrag,Senhor dos Dragões, onde dá conta da angústia que sempre acompanha a derradeira viagem.

Não há portas para abrir ou fechar

não há caminhos a percorrer

tens apenas de te manter desperto

no grande sono de Hades.

Serás sonhado

e as hediondas criaturas passarão por ti

através de ti

e em ti soltarão os teus medos

chamando-te ao baile.

Mas onde irás tu acostar a tua barca

se o Senhor Negro ainda não chamou o teu nome?

Luz e Paz para quem já atravessou a fronteira!

sinto-me: Triste.
música/livro: Marcha Fúnebre
publicado por São Banza às 11:30
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De João Carlos Pereira a 2 de Novembro de 2007 às 13:30
Posso comentar com um poema? Então, lá vai:

O outro lado da morte

Se fosse a morte o que parece
- ausência, fim -
então, porque amanhece
a fonte no jardim?

Se a morte fosse o que julgamos
- definitiva e triste -
então, porque dançamos
e a flor resiste?

Antes de nós, a morte.
E - convenhamos - depois de nós, também.
O outro lado da morte
é sempre aquele onde estamos.

João Carlos


De Vicente a 2 de Novembro de 2007 às 18:40
Meu Caro, Torga disse-o bem :
“ Ver o mundo. Vê-lo neste misto de deslumbramento e aflição, como um apaixonado que contempla o corpo da mulher amada a saber que o há-de perder de todas as maneiras.”
O poeta pode ver mais longe, pode ver o que mais ninguém vê "numa encantada, encantatória e desesperada tentativa de captar a essência do mundo e de , atravès da palavra, mudar a vida..." ( Rimbaud)...sempre na procura do verso qu enão há...e a morte é o verso que não há. morte é deixar de existir...lembra-se de quando não existia?...pois não...de alguma forma estava morto...pois morrer é não existir mais...A poesia não se explica...implica...e a escrita não conforta...corrompe... nas palavras de torga poderá tentar tornar o mar doce...mas será persistência inútil...ele não ficará...
Então porque amanhece a fonte no jardim?...
Essa é a pergunta não é?...
Um Abraço Vicente...
PS


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