Domingo, 7 de Outubro de 2007

...

Domingo é, oficialmente, tempo de lazer.

Por isso, só vos deixo esta meia dúzia de reflexões  sobre Portugal, de pessoas de reconhecido valor :

" Existe nos confins da Ibéria um povo que não se governa nem se deixa governar."

 

                Júlio César

             (Imperador de Roma)

" Os portugueses não souberam tratar as riquezas nem usar delas com a temperança devida e necessária"

            Francisco de Andrada - Século XVI

"Qual há de nós que traga em si cousa feita em Portugal? Acharemos (e não ainda todos nós) que só o pano de linho e os sapatos são obras nossas."

 

     

            Duarte Ribeiro de Macedo - 1675

 

"Lástima é que para escolher um melão se façam mais provas e diligências da sua bondade que para um conselheiro e para um ministro." 

 

                   

                            Francisco Manuel de Melo - 1721

"Não houve da parte de diversos Partidos a menor consideração pelos valores mentais, o menor interesse pelos nossos jovens. Por isso, o que há de mais são e idealista nas aspirações populares dispersa-se por aí, impotente e vago, como simples nebulosa que não toma corpo, que não influi nos factos, que não chega a actuar."

              António  Sérgio - 1932

"É espantosa a penúria intelectual e cultural dos nossos governantes. A política continua a ser a via mais fácil de ascensão social."

            Boaventura Sousa Santos - 2004

 

           

sinto-me: DEFRAUDADA!
música/livro: "FEIRA CABISBAIXA" - ALEXANDRE O´ NEILL
publicado por São Banza às 12:51
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Sábado, 6 de Outubro de 2007

PARA OSCAR LUIZ

Olá, Oscar!

 Pouco tempo tenho de viagem neste mundo quase infinito da Internet.

Mas não é que , por um quase milagre, conheço você?

O seu blog completa hoje um ano : que viva bem, por muitos mais é o meu voto !

Para si, um belíssimo poema de um dos maiores cantautores de sempre da língua portuguesa e que encaixa perfeitamente no extraordinário ser humano que você transmite:

                        UTOPIA

Cidade

Sem muros nem ameias

Gente igual por dentro

Gente igual por fora

Onde a folha da palma

Afaga a cantaria

Cidade do homem

Não do lobo, mas irmão

Capital da alegria

Braço que dormes

Nos braços do rio

Toma o fruto da terra

É teu, a ti o deves

Lança o teu desafio

Homem que olhas nos olhos

Que não negas

O sorriso, a palavra forte e justa

Homem para quem

O nada disto custa

Será que existe

Lá para as margens do Oriente

Este rio, este rumo, esta gaivota

Que outro fumo deverei seguir na minha rota?

              

                                 JOSÉ   AFONSO

Toda a minha ternura!

 

 

sinto-me: FELIZ!
música/livro: "Textos e Canções de José Afonso"
publicado por São Banza às 08:20
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Sexta-feira, 5 de Outubro de 2007

DIA DO PROFESSOR

Comemora-se o Dia do Professor ( e da professora, já agora...) e , por isso e porque me pareceu importante o discurso de Cavaco Silva, deixo aqui algumas reflexões sobre a relação entre Família e Escola.

O ser humano tem no seu desenvolvimento duas Instituições de referência: a família e a escola. Torna-se necessário, portanto, tratar cuidadosamente a articulação entre ambas : é o mínimo exigido por respeito à pessoa cuja educação ambas partilham ao longo de um larguíssimo período de tempo.

Em Portugal, esta questão põe-se ainda com maior pertinência dada a numerosa presença de emigrantes quer dos países do Leste europeu quer dos Palop.

Como se pode ler em "Early Childhood Digest" existem benefícios tanto para a escola como para a família: "Los maestros necesitan saber algo sobre la família, la lengua y cultura de los niños y niñas para ayurdales a aprender(...) .Los padres y madres se benefician porque aprenden más de lo que ocurre en la escuela y pueden animar a los niños a aprender en casa".

Deve-se ter em conta neste trabalho interactivo , segundo Jane Powell e Di Hart, os aspectos seguintes:

- As necessidades de desevolvimento da criança/adolescente

-A capacidade dos pais ou substitutos para responder a essas necessidades

-O impacto da família alargada e dos factores contextuais.

Os mesmos autores ainda defendem ser importante considerar:

«Abandono psicológico

«Mudanças Habitacionais, principalmente se frequentes

«História infantil dos pais

«Condições laborais dos pais

«Dificuldades de relação

«Falta de informação/aproveitamento dos recursos disponíveis

«Estruturação familiar deficiente

«Problemas sociais

«Excesso/Precaridade de trabalho

«Pobreza

«Afectividade

Mas, citando em tradução livre " Early Childhood Digest" novamente, " a comunicação pode ser difícil, especialmente quando a família se sente incómoda na Escola, ou não fala bem a língua, ou se é oriunda de culturas diferentes da dos educadores e professores. Afortunadamente, tanto pais como educadores desenvolveram maneiras de facilitar a comunicação".

São algumas dessas estratégias facilitadoras de um relacionamento indispensável para todas as partes que aqui partilho.

Antes, porém, falarei sobre as condições básicas a que todas as famílias têm direito e que influenciam o seu desempenho:

...Rendimento suficiente e adequado

...Casa

...Cuidados de saúde

...Cuidado quotidiano das crianças/pessoas idosas

...Educação

...Espaços de lazer.

Vejamos, agora, as estratégias específicas e viáveis na interacção das duas instituições:

 

FAMÍLIA

-Falar com o/a professor/a

-Compartilhar os seus valores, religião e crenças

-Mostrar a sua cultura

-Informar-se sobre aulas (in)formais de línguas

-Associar-se a um programa ou actividade para pais na escola

-Trocar impressões com outras pessoas que passem mais tempo na escola

-Fazer com que vários elementos da família e/ou do círculo de amizades se relacionem com a escola

-Observar as suas crianças no meio escolar

-Telefonar para a escola

-Escrever um bilhete ao professor

-Oferecer-se para ajudar em casa

-Contactar alguém que compreenda o seu idioma.

ESCOLA

-Acreditar na importância de uma boa relação entre a família e a Escola

-Não estigmatizar nem a criança nem a família

-Evitar as críticas cruzadas, preferindo sugestões

-Promover um Programa de Educação Parental

-Possuir Centro de Apoio às Famílias

-Ter Programas de Visita a casa

-Desburocratizar ao máximo possível os contactos com os pais

-Solicitar a colaboração de familiares e respectivos amigos

-Auxiliar as famílias a utilizarem bem oa recursos sociais da comunidade

-Não solicitar a presença dos pais só quando existem problemas

-Estar aberta e disponível para contactos informais.

Como é óbvio, as dificuldades estarão sempre presentes nesta interacção e não existe rigorosamente nenhum milagre que evite os conflitos que lhe são inerentes.

O que se pretende é tão-só abrir horizontes numa matéria bem importante, cuja responsabilidade é de todas as pessoas relacionadas com a Educação. Evidentemente, este trabalho atravessa todo o sistema educativo, iniciando-se na Creche( 0 -3 anos).

Num país onde Catalina Pestana afirma a continuação de abusos sobre as crianças da Casa Pia e em que a Ministra da Educação diz ter perdido os professores, mas ganho os portugueses...toda a contribuição que possa salvaguardar a criança é importante, não?

Como escreveu Burbules:

" Uma atitude de respeito mútuo pode manter uma relação, apesar de grandes diferenças em saberes, valores e crenças".

Se este conceito tão simples fosse seguido, muito sofrimento, muita humilhação, muitas lágrimas se teriam evitado.

Bom fim-de-semana prolongado!

sinto-me: BEM!
música/livro: "A História da Educação em Espanha e Portugal"-Nóvoa/Berrio
publicado por São Banza às 16:30
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Quinta-feira, 4 de Outubro de 2007

AUSCHWITZ, UM SÍMBOLO

A Birmânia saltou para as nossas casas à custa de morte e dor.

O Darfur está na comunicação social pelo sofrimento e pela angústia.

Mas que sabemos nós dos massacres sofridos pela Chéchénia?

Quem nos conta o horror do quotidiano no Iraque, no Líbano, na Palestina, no Afeganistão?

Quanta injustiça, quanta perseguição se abate sobre milhares de seres humanos , de que nós nem suspeitamos sequer?

Eis o motivo de aqui partilhar convosco o testemunho por mim publicado no "Outra Banda" , em Julho de 2003, após a minha visita ao mais tristemente célebre campo de concentração nazi.

O texto simboliza todo o meu apreço por todas as vítimas de todos os tempos.

                                

                                   AUSCHWITZ

" Não o anuncieis em Geth,

   não derrameis lágrimas...

    Na casa do pó, cobri-vos também de pó!"

                                                                       Miqueias

O que vos escrevo hoje é um grito de horror e espanto. Porque pura e simplesmente não existem palavras com poder ou capacidade para transmitir, ao de leve que seja, aquilo que se sente ao transpor os portões do campo de morte nazi de Auschwitz, nome alemão de Oswiecim, Polónia, e ao ficarmos no interior daquele imenso espaço delimitado por uma dupla vedação electrificada  de arame farpado.

O "slogan" , sobre a entrada de todos os campos de concentração, "Arbeit Macht Frei"("O Trabalho Liberta") gela pelo cinismo. Nessa zona tocava a orquestra utilizada por Hitler para fins de propaganda face à comunidade internacional.

A terminologia SS designava esta fábrica de morte como Konzentrationslager Auschwitz. No entanto, ela é composta por dois campos de concentração : Auschwitz, propriamente dito, e Birkenau, a uma distância de três quilómetros.

Este último, designado também como "o campo novo" , foi construído por prisioneiros para prisioneiros, e a zona feminina é separada da masculina pelo famoso ramal de caminho de ferro, em cujo cais de desembarque - conhecido por "A Rampa" - Mengele( "O Anjo da Morte") decidia da morte imediata ou da ida para o trabalho escravo dos "materiais humanos".

A razão da sua construção prende-se com a impossibilidade de em Auschwitz se gasearem e cremarem os milhares de pessoas chegando a um ritmo elevadíssimo.Apesar da sua vastidão, ficou "sómente" a meio.

Neste complexo industrial de pavor e morte, foram assassinadas a sangue-frio, entre 1940 e 1945, mais de um milhão de vítimas - cobrindo,só por exemplo,  polacos, soviéticos, ciganos e judeus. Sendo a intenção hitleriana varrer do cimo da Terra tanto ciganos como judeus.

Jamais saberemos o número real, pois os alemães não se deram ao trabalho de registar as pessoas que passaram directamente dos vagões de transporte de animais para as câmaras de gás.

Tornou-se, assim, a maior vala comum do mundo e o mais conhecido lugar histórico de genocídio.

Em homenagem às vítimas, o Parlamento polaco decidiu , em 1947, preservar a área e fundar um Museu Estatal, constituído actualmente por 200 hectares de terreno, 150 edifícios e ruínas de outros 300 (destruídos pelos responsáveis nazis quando se aperceberam da derrota inevitável e souberam da aproximação do Exército Vermelho), além das várias colecções de objectos das vítimas, documentos, fotografias, testemunhos escritos, latas vazias de Zycclon B (produto tóxico utilizado para a Solução Final do Problema Judaico, ou seja, o extermínio programado e definitivo do povo judeu).

Disse-vos tudo isto, mas tudo isto é mera informação: não vos passa rigorosamente nada de uma experiência de vida impossível de esquecer e que nos provoca uma profunda mescla de emoções e sentimentos.

O poder simbólico de Auchswitz-Birkenau é tremendo, e o facto de se ter estado ali - onde a insanidade e a ferocidade do animal humano nos afundaram a todos nós no mais negro dos abismos - marca-nos tão indelevelmente a alma como os nazis alemães marcaram o corpo das sua vítimas.

Nada nos protege para este mergulho na prova provada de um período dominado por entidades profundamente malignas, que corresponderam ao subconsciente profundo de um sociedade desequilibrada, pois - já alguém o disse - tudo passa pela pessoa e respectivo contexto!

Aliás, a cruz de Shiva, no seu destruidor movimento para a esquerda, tomada como símbolo do nazismo, não permite ilusões nem enganos!

Nenhum livro, nenhum filme, nenhum documentário - nem sequer testemunhos de quem sobreviveu àquela descida a todos os infernos reais e imaginados - nos prepara para o perturbante choque de percorrermos o temido "Bloco 11" - jurisdição da Gestapo, com um muro especialmente preparado para fuzilamentos - e descermos às suas sombrias celas destinadas a torturas específicas; muito menos, para entrarmos por sobre solo propositadamente desnivelado nas câmaras de gás e vermos por cima das nossas cabeças as falsas saídas de água ou tocarmos com as nossas próprias mãos os fornos onde centenas e centenas de vítimas de todas as nacionalidades e idades foram queimadas - algumas ainda em vida!!

Primo Levi, sobrevivente deste campo de assassínio em massa, deu testemunho em "Se isto é um homem", donde retirei o seguinte excerto: " Em Birkenau, a chaminé do Forno Crematório fumega há dez dias. Estão a arranjar lugar para um enorme transporte que está a chegar do gueto de Posen... Destruir o homem é difícil, quase tanto como criá-lo; não foi fácil, não foi rápido, mas os Alemães conseguiram-no : da nossa parte nada mais têm a recear".

Ciente deste sofrimento além dos limites, uma insolúvel perplexidade me angustiou durante toda a visita : como pode o povo judeu - após ter sido vítima de tal violência e de ter sofrido perseguições durante séculos - portar-se da maneira terrível como se porta com os palestinianos, esmagando-os e aos seus direitos?!

Falei, melhor dizendo, tentei falar do indizível, da comoção que nos deixa sem voz e nos afoga em lágrimas face aos olhos que , das fotografias, nos olham e aos testemunhos simultâneamente comoventes e chocantes de uma tragédia sem nome nem tamanho, cujo peso se abate para sempre sobre a Humanidade inteira.

Espero em Deus ter conseguido, através daquilo a que a Ordem do Templo chamava "confissão negativa" deixar aqui um alerta, para que se não repita de nenhum modo ( o Mal usa muitas máscaras, como sabemos)" a experiência de quem viveu

dias em que o homem foi uma coisa aos olhos do homem.".

Termino com a palavra de esperança e confiança de dois sobreviventes - uma francesa e um polaco - do pesadelo dos campos de concentração nazis ( é bom relembrar a existência, por exemplo, de Dachau, Treblinka, Buchenwald, Leipzig) :

"Apesar de tudo, devemos alegrar-nos, pois a vitória é nossa e eles é que, com toda a sua força e com todo o seu horror, sofreram uma derrota sem retorno!"

             Françoise  Gautier

"Devemos seguir a Lei de Talião, olho por olho e dente por dente? É necessário isso? Devemos fazer a outros o que nos fizeram? Os Tribunais aí estão para julgar!"

                          Tadeusz  Sobolewicz

Deus nos ilumine conforme as nossas necessidades e responsabilidades!

Bom fim-de-semana prolongado e obrigada pela companhia!

sinto-me: DESCONSOLADA
música/livro: "HE SOBREVIVIDO AL INFIERNO" - TADEUSZ SOBOLEWICZ
publicado por São Banza às 16:22
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Quarta-feira, 3 de Outubro de 2007

MUTISMO

Após ter visto ontem a reportagem da Sky News sobre a actuação da Polícia Judiciária no crime McCann e após a demissão pelo Governo do responsável pela investigação sobre o caso, não tenho sequer palavras para exprimir a raiva e a indignação!!

Tavez não tenha muito a ver, mas aqui vos deixo um excerto de um poema de Khalil Gibran:

                 Foi-vos dito que, como numa cadeia,

                  sois tão fracos

                  como o vosso elo mais fraco.

                   Isto é apenas metade da verdade.

                    Sois também tão fortes

                     como o vosso elo mais forte.

Agredeço a companhia!

sinto-me: Danada!
música/livro: "MUJERES EN LA INQUISICIÓN" - MARY E. GILLES
publicado por São Banza às 13:39
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Terça-feira, 2 de Outubro de 2007

A ERA DOS MITOS

Diana Spencer, de 36 anos e mãe de dois adolescentes, morreu num brutal acidente de automóvel numa noite de domingo, ao entrar num túnel das ruas da cidade de Paris - há dez anos.

E,quase de imediato, o mito teve início: a aldeia global , cujo tamanho diminui a olhos vistos, entrou em estado de comunhão na tristeza colectiva e na demonstração pública de emoções expostas na voracidade insaciável e terrível dos media.

Seria interessante, penso, analisar os motivos da criação dos actuais ídolos  - vivos ou mortos - pelo comum das pessoas.

Até por respeito ao lúcido e brilhante discurso proferido no funeral por Charles, conde de Spencer e irmão da vítima, devemos reflectir nesta necessidade quase doentia de mitos, ídolos e "personalidades".

Como certa vez me disse o meu querido amigo José Manuel Oliveira, estamos a viver um tempo vazio de figuras verdadeiramente carismáticas, cuja densidade e peso as projectavam como referências ao comum dos mortais.

Assim sendo e considerada a mesquinhez da vida quotidiana que a esmagadora maioria das pessoas penosamente arrasta na sua passagem por este pequeno planeta, natural se torna que se portem como se se encontrassem ainda na adolescência - procurando figuras de identificação e modelos de comportamento.

Se, para cúmulo, a pessoa-alvo combina em si, como Diana o fazia, características contraditórias entre si, mas aparecendo como um todo congruente e morrendo no contexto em que morreu...inevitável se torna a sua mitificação num sociedade de consumo sem figuras decisivas para o futuro da Humanidade e sem pontos de referência marcantes nesta transição de milénios onde os valores se encontram em estado de perdição.

Tudo isto tem ver com a Educação. Eu explico: se as pessoas forem educadas a pensar pela sua própria cabeça e segundo a sua consciência , jamais serão presa fácil dos fazedores de opinião, dos mistificadores de sentimentos, dos vendilhões do templo!!!...

Resumindo, serão sempre seres responsáveis, autênticos e verdadeiramente pensantes.

E não é isto que caracteriza o ser humano?

sinto-me: PREOCUPADA
música/livro: "O PROFETA" - KHALIL GIBRAN
publicado por São Banza às 09:15
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Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007

ELOGIO DA MEDIOCRIDADE

A mediocridade é rasteira

Situa-se em plano raso, está junto ao chão.

A mediocridade sofre de vertigens

É por essa agonia que as alturas dos grandes picos lhe provocam que jamais a vemos em voos altaneiros e largos.

A mediocridade é ordeira

Por isso, a encontramos sempre em imensos e bem nutridos rebanhos, onde todos se aconchegam na confirmação da antiga crença do horror da Natureza ao vazio.

A mediocridade é obediente

É essa a razão de acenar afirmativamente até à exaustão a todas as decisões dos seus muitos superiores.

A mediocridade é humilde

Como tal, reconhece o seu próprio lugar na ordem natural das coisas e remete-se à sua assumida insignificância.

A mediocridade é respeitadora

Assim, nunca põe em causa nem questiona quer a cadeia hierárquica quer as decisões e atitudes de quem a compõe.

A mediocridade possui toda a prudência do mundo

Evita envolver-se em situações exigentes nos compromissos a enfrentar.

A mediocridade pratica a contenção

Nunca emite opiniões,desejos, juízos.

A mediocridade é sensata

Aceita de muito bom grado o princípio da realidade configurado no tom fosco de uma vida desprovida de qualquer sentido.

A mediocridade possui espírito de solidariedade e sacrifício

Vegeta no seu casulo e abandona ao Outro a capacidade de sonhar, de lutar e de sofrer.

A mediocridade tem gosto

Assim, veste-se de ouropéis e a si mesma se designa como a áurea mediania.

A mediocridade é uma resistente por natureza

Sobrevive a todas as mudanças e floresce sob qualquer regime político.

Como toda a gente sabe, a alegria sublime de se ser medíocre

continua a conhecer em Portugal momentos de merecida glória - tavez pelo facto de sermos um pequeno rectângulo, quem sabe...

Atendendo a todas as qualidades atrás descritas temos, efectivamente, o patriótico dever de nos congratularmos com a rápida ascensâo a lugares de responsabilidade de personagens vincadamente medíocres.

Consequentemente:

Abaixo a competência e o seu perigo muito real de realizar no país uma verdadeira revolução no campo da inteligência e do saber!

Abaixo a capacidade crítica em relação à realidade nacional!

Abaixo a educação - porque é o meio mais eficaz para combater a mediocridade!

Acreditam que " Jornal do Barreiro" me publicou este texto em 10 de Outubro de 1997?

Parece ter sido concluído há minutos atrás, não é?

Afinal, nalgumas coisas a tradição ainda é o que era...

sinto-me: DE CABELOS EM PÉ...
música/livro: " EM OURO CRU" - SÃO BANZA
publicado por São Banza às 18:14
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