Terça-feira, 2 de Outubro de 2007

A ERA DOS MITOS

Diana Spencer, de 36 anos e mãe de dois adolescentes, morreu num brutal acidente de automóvel numa noite de domingo, ao entrar num túnel das ruas da cidade de Paris - há dez anos.

E,quase de imediato, o mito teve início: a aldeia global , cujo tamanho diminui a olhos vistos, entrou em estado de comunhão na tristeza colectiva e na demonstração pública de emoções expostas na voracidade insaciável e terrível dos media.

Seria interessante, penso, analisar os motivos da criação dos actuais ídolos  - vivos ou mortos - pelo comum das pessoas.

Até por respeito ao lúcido e brilhante discurso proferido no funeral por Charles, conde de Spencer e irmão da vítima, devemos reflectir nesta necessidade quase doentia de mitos, ídolos e "personalidades".

Como certa vez me disse o meu querido amigo José Manuel Oliveira, estamos a viver um tempo vazio de figuras verdadeiramente carismáticas, cuja densidade e peso as projectavam como referências ao comum dos mortais.

Assim sendo e considerada a mesquinhez da vida quotidiana que a esmagadora maioria das pessoas penosamente arrasta na sua passagem por este pequeno planeta, natural se torna que se portem como se se encontrassem ainda na adolescência - procurando figuras de identificação e modelos de comportamento.

Se, para cúmulo, a pessoa-alvo combina em si, como Diana o fazia, características contraditórias entre si, mas aparecendo como um todo congruente e morrendo no contexto em que morreu...inevitável se torna a sua mitificação num sociedade de consumo sem figuras decisivas para o futuro da Humanidade e sem pontos de referência marcantes nesta transição de milénios onde os valores se encontram em estado de perdição.

Tudo isto tem ver com a Educação. Eu explico: se as pessoas forem educadas a pensar pela sua própria cabeça e segundo a sua consciência , jamais serão presa fácil dos fazedores de opinião, dos mistificadores de sentimentos, dos vendilhões do templo!!!...

Resumindo, serão sempre seres responsáveis, autênticos e verdadeiramente pensantes.

E não é isto que caracteriza o ser humano?

sinto-me: PREOCUPADA
música/livro: "O PROFETA" - KHALIL GIBRAN
publicado por São Banza às 09:15
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12 comentários:
De elvira a 3 de Outubro de 2007 às 08:57
Penso que a maioria do comum mortal, aquele que não tem grande instrução literária e que vive uma vidinha de m**** tem uma necessidade doentia de mitos, sejam ele de pessoas que por alguma razão lhe são simpáticas, seja de figuras religiosas. Penso que de certa maneira se projectam nessa pessoa, e criando o mito, a importância, é como se sentissem parte dele, e assim a sua vida não lhes parece tão insuportável.
Um abraço


De São Banza a 3 de Outubro de 2007 às 12:45
Pois concordo consigo.
O pior é essa pobreza ser estimulada pela imprensa cor-de-rosa, que acho mais marron...como , penso, dizem no Brasil.
è um bocado como a toxicodependência!
Cá a espero!
Abraços.


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